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Nada é óbvio! Dããã

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É óbvio que vou acordar amanhã, que o sol vai nascer, que depois da primavera vem o verão, que se der sol fim de semana o carioca vai à praia. Será que Deus é Óbvio ou o Óbvio é o próprio Deus reinando na Terra? Vivo confiando nesse tal de óbvio. Mas que nada é óbvio não é óbvio né gente?!

Se o Óbvio fosse uma pessoa, como ela seria? Aff… já deu até preguiça de pensar nesse cara! Se tem uma coisa que o Óbvio é: ele é chato(ou sou eu?)! E ele fica lá dentro de mim falando pra ser igual a ele. O óbvio em si não existe, mas vivemos como se tudo fosse óbvio.

O óbvio ignora o mundo como se apresenta na nossa cara a cada instante. Ele vive preso no passado. Em experiências. Em regras sociais. Em crenças. O óbvio gosta do caminho mais rápido e conhecido. Encurta caminho para tudo, só pra chegar mais rápido… onde mesmo que era pra chegar?

Você abre a torneira e acontece um fenômeno que a gente chama de cair água. Praticamente, num passe de mágica a água cai com um simples movimento da mão, manipulando aquele objeto giratório. Vou te falar que nos meus 29 anos de vida, 99% das vezes que fiz isso deu certo! Todos os dias eu vou lá e faço a mesma coisa e isso acontece, até que um dia não funciona. O que será que aconteceu? Como esse objeto ousa quebrar com a minha obviedade?! Será que é só no meu prédio? Será que é o encanamento da rua? Será que é a Cedae fazendo obra? Será culpa do governo que não dá um jeito nessa “crise” de falta d’água? Mas quem colocou esse objeto aqui? Como essa água chegou até a pia? De onde ela vem? Caraca, é muita coisa pra pensar, questionar… deixa eu voltar pro óbvio que tava mais gostosinho.

Tá ficando óbvio esse texto né? -“Ah já entendi onde ela quer chegar!” -“Ai ambientalista chata, mais um texto óbvio pra me convencer de alguma mudança de hábito.” Olha eu tomando como óbvio o que você pensa lendo esse texto! Olha eu tomando como óbvio que alguém vai ler esse texto.

Talvez eu quisesse provar alguma coisa com o exemplo da torneira, mas de fato o que eu tenho vontade é contar de uma prática que tem surgido para mim que começa em questionar o Óbvio. Mas não é questionar por questionar, é questionar para ver. Nesse fim de ano participei de um curso onde ficamos 6 dias intensivos olhando para nossas obviedades cristalizadas, não é à toa que o curso se chama Conhecer o Si. Esse texto também não é para fazer propaganda de curso algum, mas não dava para falar disso sem citar a experiência que me inspirou a apertar esses quadradinhos pretos sob meus dedos.

Se tem uma coisa que nunca foi óbvio para mim é escrever, mas deu vontade. E é tanta gente escrevendo tanta coisa por aí, por que ser mais um enchendo a internet com algum conteúdo irrelevante? Se escrevo aqui é por que quero que outras pessoas leiam, óbvio! Brincadeira, mas olhando melhor há um desejo de expressar o que se passa dentro de mim e que assim as pessoas podem me conhecer um pouquinho. E que quando me expresso é mais uma possibilidade que se abre no mundo. É mais um serzinho nesse mundão, com um olharzinho único da realidade. Realidade essa que é tudo que não única no olhar de ninguém.

Dá vontade de compor esse tecido de realidade que a gente cria junto. Jogar um pouquinho das minhas cores para colorir o que a gente pinta com verdade. Por mais que o azul que eu use possa parecer verde pra você e que talvez o que eu escreva nesse texto não seja o que você realmente compreenda dele. Você pode ainda assim conhecer um pouco de mim e também conhecer um pouco de você?

Será? E agora? Difícil não ser óbvio!

Meu nome é Ilana, muito prazer! Dããããããããã

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